sábado, 31 de maio de 2008

"Uma espécie de fórum"

O conceito não é dos Gato Fedorento nem tão pouco se trata de um sucedâneo do "Diz Que É Uma Espécie de Magazine". A ideia é do director da TSF que anunciou aqui que a estação vai ter "uma espécie de fórum" dando a palavra aos ouvintes nas vésperas dos jogos do Euro.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Paroles, paroles, paroles...

Um dos equívocos da chamada “rádio de palavra” é que tal formato não significa, necessariamente, informação apesar de, em muitas situações, os animadores e locutores surgirem, aos olhos de quem interage nas emissões, travestidos de jornalistas. A somar à confusão de papéis profissionais (que deveriam estar perfeitamente diferenciados) e à ausência de informação juntam-se, em muitos casos, modelos de entretenimento de duvidosa qualidade.

A este propósito, ouçam-se as horas e horas de emissão dedicadas, pelo RCP, à participação da selecção portuguesa no Euro 2008. Toda e qualquer futilidade serve para motivo de reportagem e conferências de imprensa, plenas de declarações vazias, têm direito a serem transmitidas em directo. Sem qualquer tratamento e sem serem sujeitas a critérios editoriais. Logo, onde não há edição, não há jornalismo. Sobra em propaganda o que fica a faltar em informação.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Já estamos continuamente a ser expostos a lavagens ao cérebro"

A constatação do título, que pode ser lida aqui, é de António Damásio e serve de mote para o neurocientista português deixar o alerta para as pessoas estarem cada vez mais atentas à maneira como podem ser manipuladas pelos anúncios. Não só de publicidade comercial, visto que Damásio admite que, num futuro próximo, as neurociências possam ser utilizadas para fins menos inocentes como, por exemplo, "para promover determinadas políticas sociais ou determinados candidatos políticos".

É o neuromarketing em todo o explendor dos seus objectivos que passam não só por "atingir as pessoas" com os anúncios, mas descobrir como "influenciar as pessoas", como reconhece uma responsável da empresa Phd. Todavia, Damásio deixa uma má notícia para quem tenta prever - ou manipular - comportamentos: "somos fundamentalmente uma grande confusão" no que respeita ao uso da razão e da emoção. A única coisa que parece certa é que, conforme se concluiu neste estudo, a "racionalidade não exclui as emoções no consumo de mensagens simbólicas, mas também de bens e serviços".

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Nuno Markl na redacção da Comercial


Foi no início dos anos 90. Eu era o seu editor e nunca me deixou ficar mal. Nem sequer neste desenho com algumas figuras da redacção em que me colocou no lado direito da imagem ponderando, calma e serenamente, os ímpetos da cadeia hierárquica.

Bobby McFerrin: gostos discutem-se?

Voz prodigiosa não significa grande concerto.
Bobby McFerrin espantoso.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Infoinclusões... dos outros

Folclore-68. De Rui Bebiano em A Terceira Noite.
Os fumos de Bettencourt Resendes. De masson no Almocreve das Petas.
Breaking news in tugalândia. De josé na Grande Loja do Queijo Limiano.

A percepção dos média pelos consumidores

Algumas das conclusões de um estudo encomendado pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN). Aqui.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Infoinclusões... dos outros

"Nós fizemos as contas" diz ela. De Miguel Carvalho no A Pente-Fino.
Coisas da Sábado: insuportável vazio. De José Pacheco Pereira no Abrupto.
A cor do poder. De Viriato n' O albergue espanhol.

Jornalismo positivo?

Segundo informa aqui o JN, a RTP estreia hoje um programa semanal de 30 minutos com informação positiva.

A discriminação positiva do chamado "jornalismo positivo" é um contra-senso do próprio jornalismo, cuja essência é dar notícia de factos relevantes, sejam eles "positivos", "neutros" ou "negativos". Os governos e as autoridades, essas sim, é que assumem o papel de sublinhar o lado "positivo" da informação pública.

Sobre o assunto, Eduardo Cintra Torres já disse tudo o que havia a dizer num artigo do jornal Público (link só para assinantes) que termina assim:

«fiquei com a barriga cheia de "jornalismo positivo" antes do 25 de Abril: todos os dias no Telejornal Américo Tomás inaugurava barragens e visitava edifícios maravilhosos ao som da sinfonia À Pátria de Viana da Mota. E, quanto às notícias de crimes, já se sabe: Salazar proibiu-as na primeira página dos jornais. Salazar preferia manchetes de "jornalismo positivo".»

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Acumulação de dados

"Não estamos numa sociedade de pensamento, mas apenas de acumulação de dados" - Vitorino Magalhães Godinho ao Expresso de 10/05/2008

sábado, 10 de maio de 2008

A oportunidade perdida da RTP

O Telejornal da RTP teve ontem a oportunidade de marcar a diferença face às televisões privadas. E não o fez.

Como já vem sendo habitual foi marcada para as oito da noite mais uma conferência de imprensa, no caso para divulgar a posição do Futebol Clube do Porto face à pena que lhe foi imposta pela Comissão Disciplinar da Liga. À hora estabelecida, lá estavam a TVI e a SIC transmitindo, em directo, tudo aquilo que o presidente do FCP ia dizendo até anunciar o que, efectivamente, era notícia.

Ainda tive a veleidade de pensar que a RTP não se ia subjugar, desta vez, à ditadura das conferências de imprensa às oito. Mas não. Mal acabou a peça gravada que estava a ser transmitida, também a televisão pública foi em directo para o Dragão. E, afinal, tinha sido possível sabermos, em tempo útil, da notícia (que o FCP não ia recorrer, mas Pinto da Costa ia) sem termos de ouvir grande parte da declaração do presidente do FCP.

Com a tecnologia actualmente existente poderia ter sido gravada a declaração e editada uma peça instantes depois. Mas assim foi mais fácil. Mais uma vez a informação demitiu-se de fazer o seu papel continuando a deixar que seja a ficção a mostrar o que há de melhor na edição em televisão. É só ver as novelas!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O neuromarketing vem aí. E a seguir???

Conforme se pode ler aqui, "o neuromarketing permite a detecção e análise de actividade no cérebro de forma não-evasiva, a fim de compreender a maneira de sentir e pensar das pessoas".

Enquanto não estivermos todos anestesiados convém ir pondo a questão ética: qual é a fronteira entre a forma evasiva e a forma não-evasiva e quem a delimita?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Até onde vamos chegar?

Metro: Crianças são directores por um dia
Até onde vamos chegar enquanto se fizer crer que todos podem fazer tudo e opinar sobre o que quer que seja? À descredibilização total!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Há jornalismo na blogosfera?

Há, sim senhor!... Com estados de alma. Como há na crónica, no comentário ou mesmo na reportagem.

domingo, 4 de maio de 2008

A edição em televisão

Nem de propósito! António Barreto, na sua coluna do Público de hoje sobre os "directos" em televisão, retoma o pano de fundo da questão por mim aflorada, aqui, relativamente à subvalorização a que se assiste na edição em rádio.

«Os jornalistas fazem cada vez menos a "edição" das "peças", das imagens e das reportagens dos "enviados" e "metem os brutos", isto é, põem no ar as sequências em bruto, tal como chegaram dos "enviados" ou das agências. O "directo" é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão.» (link só para assinantes).

Ora, convém não esquecer, os excessos a que assistimos actualmente na televisão começaram pela rádio, quando se quis carimbar a "rádio em directo" com o selo que garantiria automaticamente a qualidade do produto radiofónico, conforme já referi aqui:

«E não basta a transmissão da actualidade em directo para que o efeito surpresa funcione. Aliàs, já é tempo de acabar de vez com o mito rangeliano da "rádio em directo", tal é o uso e abuso que se tem feito do conceito. Para além de já quase nunca surpreender (são as conferências de imprensa na hora dos telejornais, são as declarações previsíveis, são as entrevistas de circunstância), quando se justifica, e na falta de grandes repórteres, o directo em rádio (e já agora também em televisão), tende a ser formalmente pobre e a fazer apelo às emoções mais primárias, quando não é, pura e simplesmente, idiota."

sábado, 3 de maio de 2008

A edição em rádio

Continuo a achar que é uma falta de respeito pelos ouvintes repetir programas, transmitidos originalmente a uma determinada hora, num outro horário sem qualquer tipo de edição. Exemplo: este sábado, depois das 3 da tarde, no programa “Toda a Tarde” do RCP, ouvir dizer “bom dia” no decorrer da entrevista de João Adelino Faria a João Lagarto, transmitida dias antes durante a manhã. Quem apanha a entrevista a meio não sabe que, no início, avisou-se que se tratava de uma repetição. Ao proceder desta forma esqueceu-se que uma das características da rádio hertziana é ser irrepetível e deixar “ir para o ar” um “bom dia” às 3 da tarde, além de disparatado, é nitidamente uma desconsideração por quem ouve.

A meu ver, este é apenas um sinal de um quadro mais vasto que revela a importância, cada vez menor, dada à edição em rádio. Bem sei que sai mais caro, exige recursos técnicos e humanos, mas também sei que é a única maneira de se apresentar dignamente um produto previamente gravado (a não ser que a opção seja pelo live to tape e, nesse caso, tomam-se à partida os devidos cuidados para se evitar este tipo de “ruídos”).

Por analogia com o que se passa na imprensa ninguém ousaria passar para o papel de jornal a transcrição, pura e simples, de uma entrevista com as referências temporais que surgem ao longo de uma conversa, sem o devido enquadramento, nem com as interjeições (eh pá) ou as interrupções para justificar as ideias (um bom exemplo está aqui, onde se pode comparar o vídeo contendo excertos da entrevista com o texto escrito no jornal). Mas há rádios em que, jornalisticamente falando, parece que tudo é possível!...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A minha amiga rádio não é possessiva

Estou em casa a ler um livro com interesse e prazer. E, chegado à hora das notícias, quero saber como vai o mundo.

Recuso-me a ligar a televisão porque, já sei, é mais possessiva do que a rádio na medida em que me obriga a aplicar dois sentidos (visão e audição). É também mais absorvente porque me impede de continuar a ler.

Assim sendo, opto pela rádio. Apenas com a audição, assumida como escuta secundária, e em acumulação com a leitura proporcionada pela visão, satisfaço a minha necessidade de conhecer a actualidade. E não me desligo do livro, o que seria bem mais improvável perante um caleidoscópio de imagens e sons.

A literacia e a escola

Durante muito tempo a escola e os docentes apropriaram-se da literacia como um feudo seu. Com a mediatização da sociedade e o advento da literacia mediática tal enfeudamento deixou de ser possível. Num recente trabalho da UNESCO (dica de Manuel Pinto em educomunicação/educomunicación) advoga-se que a aplicação das competências da literacia informativa exige a transferência dos modelos educativos para outros contextos:

"Standards have been created as means to guide information literacy work in the education sector and have been shown to have utility in this context (Emmett, and Emde, 2007). All published standards have a similar foundation. As generic constructs these standards have application to both the economic sector and to lifelong learning capacities, which is to be expected given the purposes of education to prepare people for civic life and to develop or maintain people’s employment capacities. However, as will be outlined below, the situated nature of the application of IL skills requires these standards to be translated into operational variables in various contexts."

Assim, a actividade de um crítico de televisão ou de um provedor dos leitores, por exemplo, pode ser bem mais didáctica na desmontagem, em tempo útil, das representações mediáticas do que as, muitas vezes, gongóricas construções dos académicos.

Cidadãos-jornalistas?

Vai por aqui uma grande discussão sobre os chamados "cidadãos-jornalistas". Eu limito-me a perguntar: e os jornalistas não são cidadãos?