Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Uma música de 1966 para o Verão de 2008

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

A invasão dos marcianos


Passam este mês 50 anos. Às 20 horas e 5 minutos do dia 25 de Junho de 1958 a Rádio Renascença iniciava a transmissão de "A invasão dos marcianos", uma emissão que constituiu um marco inovador na produção e realização radiofónica em Portugal. Este trabalho de Matos Maia replicava no nosso país, o programa feito 20 anos antes, nos EUA, por Orson Welles a partir de "A Guerra dos Mundos", um romance original de H.G. Wells, adaptado para rádio com um guião em forma de noticiário. Apesar de ser um remake e de, também entre nós, ter sido apresentado como uma ficção científica radiofónica, nem por isso o programa deixou de ter um enorme impacto junto de milhares de ouvintes e o próprio Matos Maia acabou por ir ter de prestar declarações à PIDE, a polícia política do regime de Salazar, no final da emissão.


Na transcrição do guião do programa, que o livro acima reproduz, pode avaliar-se um dos grandes méritos da adaptação, justamente aquele que diz respeito à utilização das técnicas mais adequadas para relatar um acontecimento: reportagens, entrevistas com testemunhas, opiniões de especialistas e autoridades, efeitos sonoros e som ambiente. Todos estes ingredientes, apresentados sequencialmente em episódios exaltantes seguidos de pausas para respiração, constituem uma autêntica lição de jornalismo radiofónico. Antecipando o que viria a ser feito, mais tarde, nas rádios de notícias - o acompanhamento em directo de acontecimentos extraordinários - o programa "A invasão dos marcianos" ficciona a transformação numa emissão contínua dedicada ao acompanhamento exaustivo de uma determinada situação após a transmissão de um breaking news interrompendo a programação normal.

Sábado, 31 de Maio de 2008

"Uma espécie de fórum"

O conceito não é dos Gato Fedorento nem tão pouco se trata de um sucedâneo do "Diz Que É Uma Espécie de Magazine". A ideia é do director da TSF que anunciou aqui que a estação vai ter "uma espécie de fórum" dando a palavra aos ouvintes nas vésperas dos jogos do Euro.

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Paroles, paroles, paroles...

Um dos equívocos da chamada “rádio de palavra” é que tal formato não significa, necessariamente, informação apesar de, em muitas situações, os animadores e locutores surgirem, aos olhos de quem interage nas emissões, travestidos de jornalistas. A somar à confusão de papéis profissionais (que deveriam estar perfeitamente diferenciados) e à ausência de informação juntam-se, em muitos casos, modelos de entretenimento de duvidosa qualidade.

A este propósito, ouçam-se as horas e horas de emissão dedicadas, pelo RCP, à participação da selecção portuguesa no Euro 2008. Toda e qualquer futilidade serve para motivo de reportagem e conferências de imprensa, plenas de declarações vazias, têm direito a serem transmitidas em directo. Sem qualquer tratamento e sem serem sujeitas a critérios editoriais. Logo, onde não há edição, não há jornalismo. Sobra em propaganda o que fica a faltar em informação.

Domingo, 25 de Maio de 2008

José Nuno Martins sobre Adelino Gomes em 2008

José Nuno Martins elogia Adelino Gomes. Aqui.

Adelino Gomes sobre José Nuno Martins em 1970


In Chave 15, suplemento juvenil do jornal República de 6-12-1970.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

"Já estamos continuamente a ser expostos a lavagens ao cérebro"

A constatação do título, que pode ser lida aqui, é de António Damásio e serve de mote para o neurocientista português deixar o alerta para as pessoas estarem cada vez mais atentas à maneira como podem ser manipuladas pelos anúncios. Não só de publicidade comercial, visto que Damásio admite que, num futuro próximo, as neurociências possam ser utilizadas para fins menos inocentes como, por exemplo, "para promover determinadas políticas sociais ou determinados candidatos políticos".

É o neuromarketing em todo o explendor dos seus objectivos que passam não só por "atingir as pessoas" com os anúncios, mas descobrir como "influenciar as pessoas", como reconhece uma responsável da empresa Phd. Todavia, Damásio deixa uma má notícia para quem tenta prever - ou manipular - comportamentos: "somos fundamentalmente uma grande confusão" no que respeita ao uso da razão e da emoção. A única coisa que parece certa é que, conforme se concluiu neste estudo, a "racionalidade não exclui as emoções no consumo de mensagens simbólicas, mas também de bens e serviços".