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domingo, 23 de agosto de 2009

Eu prefiro a Internet

Para quem quer estar informado, sobre a actualidade política e económica, os media tradicionais são uma decepção. Os jornais fornecem muita intriga e pouca informação; as televisões mostram muito espectáculo e a informação é residual; as rádios, de uma maneira geral, não têm intriga nem espectáculo, mas a informação jornalística que disponibilizam é irrelevante.

Por isso, eu prefiro a Internet. Na rede, tenho acesso àqueles media e a outros e posso fazer a minha própria edição daquilo que verdadeiramente me interessa, expurgando a intriga e o espectáculo da informação jornalística.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tal como há 35 anos!...

A utilização do humor, do nonsense e do absurdo é, por vezes, a única escapatória possível para se conseguir promover uma arejada intervenção em sociedades monolíticas ou mediaticamente bloqueadas. A emissão de rádio que se pode ouvir aqui, chamava-se "Rádio Nova, Rádio Nossa" e era um programa de um grupo de jovens, em Luanda, com difusão facultada pela Emissora Oficial de Angola.

A emissão, difundida em 11 de Fevereiro de 1974, foi realizada com base no livro "O desastronauta", de Flávio Moreira da Costa, publicado originalmente em 1971. Então como agora, o tango "Cambalache", utilizado como epílogo musical do progama, retrata os sinais de um tempo confuso, sem referências criteriosas, e em que se fica muito a dever a uma esclarecida dignificação de valores:

Que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dublés...
.................................................
Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor..!
Ignorante, sabio, chorro, generoso o estafador!
Todo es igual! Nada es mejor!
Lo mismo un burro que un gran profesor!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Infoinclusões... dos outros

Angola: uma prostituta cara. De BateBola no blogdabola.
Um plano tão novo como a criação do Mundo. De Emídio Fernando no correio preto.
Disfarce para burlar a legislação e a ética. De Rafael Fortes no Observatório da Imprensa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A percepção dos média pelos consumidores

Algumas das conclusões de um estudo encomendado pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN). Aqui.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Infoinclusões... dos outros

"Nós fizemos as contas" diz ela. De Miguel Carvalho no A Pente-Fino.
Coisas da Sábado: insuportável vazio. De José Pacheco Pereira no Abrupto.
A cor do poder. De Viriato n' O albergue espanhol.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A política e o entretenimento

Todos aqueles que têm uma visão muito séria da política e que apontam o entretenimento na informação e na política como um sinal distintivo dos tempos que correm, deveriam ter ouvido o professor norte-americano Michael Schudson, segunda-feira 14, na FLAD.

Aquele sociólogo dos media diz que a política sempre foi entretenimento e, invocando os rituais eleitorais do tempo dos fundadores da democracia norte-americana, lembrou que essa tradição já vem do século XIX.

Recusando diabolizar o entretenimento, como de resto já o havia feito relativamente ao consumo, Schudson advoga uma vinculação da cidadania ao entretenimento que, através dos media, pode ser utilizado como forma de educação. Aliàs, segundo o professor norte-americano, ainda está para ser escrito o grande livro sobre o entretenimento.

No entender de Michael Schudson, que critica o jornalismo cívico, mais importante do que ter acesso a uma informação puramente racionalista são os meios que o cidadão deverá possuir para monitorizar e controlar o ambiente social em que se insere.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O que vale a participação do público na rádio e na TV?

Uma notícia e um artigo recentes, aqui e aqui, proporcionaram-me novos elementos de reflexão para aplicar à pergunta que dá título a este post e que, no fundo, retoma a ideia-chave da linha de investigação que venho desenvolvendo desde 2005, tendo em vista o conhecimento daquilo que está subjacente aos processos interactivos na rádio.

Alguns dos desafios levantados pela interacção que ocorre no espaço público mediático foram bem problematizados pelo jornalista e professor brasileiro Muniz Sodré: «Conversa-se na televisão, entrevistam-se personalidades ad nauseam, realizam-se audiências públicas nas várias instâncias do Legislativo, mas o resultado constante é a inanição dos discursos. Em outras palavras, o excesso de publicidade das expressões individuais não define aquele espaço em que se constitui politicamente a cidadania na sociedade ocidentalizada, isto é, o espaço público».

Ora, se o excesso de publicidade das expressões individuais já não chega para definir o espaço público, como poderemos vir a enquadrá-lo? Antes de mais, há que sublinhar que esta banalização e vulgarização dos discursos corresponde ao fim de um período em que coincidiam o espaço público e o espaço político. Por outro lado, na dita Sociedade da Informação, é o próprio conceito de cidadania que está também ele em mutação, alargando-se a outras vertentes para além do estritamente político.

Seguindo o pensamento de Muniz Sodré: "Na Era da Informação, as pessoas estariam mais voltadas para uma orientação relativa ao consumo ou ao entretenimento do que para a factualidade de natureza político-social tradicionalmente implicada nas notícias e nos debates relativos à condução política da sociedade." Sendo assim, parece certo que vamos ter de contar com o consumo e com o entretenimento para ajudar a definir o espaço público, conforme já desenvolvi aqui.

Todavia, a emergência de produtos mediáticos híbridos, nos quais a cidadania deixou de ser apenas sócio-política e passou a ter igualmente uma dimensão cultural e económica vinculada ao consumo, coloca novas questões. Já não basta saber o que vale a participação do público na rádio e na TV (a tal publicidade das expressões individuais no espaço público), mas também quanto vale essa mesma participação.

No Reino Unido, no ano passado, vieram a público vários escândalos envolvendo operadores televisivos que solicitavam a participação do público nos programas através da utilização menos ética de chamadas telefónicas de valor acrescentado. Agora, com o intuito de travar a desregulação daquilo a que poderemos chamar de "mercado do espaço público", o organismo regulador dos média ingleses (Ofcom), pretende instituir regras mais apertadas para os operadores. Segundo disse um responsável do Ofcom, "os telespectadores devem estar confiantes de que serão tratados de forma justa e consistente quando interagem com os programas televisivos”.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Preferia não ler e não ouvir

"Assassinato" em vez de assassínio. A explicação está aqui.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Comissão Europeia incentiva o desenvolvimento da literacia mediática

Acaba de ser divulgado o primeiro documento político sobre a literacia mediática a nível da UE. A comunicação da Comissão anuncia um estudo a lançar em 2008 sobre a avaliação da literacia mediática em diversos níveis. No press release sobre o assunto pode ler-se que "a capacidade das pessoas de analisarem criticamente o que encontram nos media e de fazerem escolhas mais informadas – conhecida como 'literacia mediática' – é cada vez mais um elemento essencial para uma cidadania activa e para a democracia". A presente comunicação surge na sequência de um inquérito efectuado no ano passado à escala da União Europeia que serviu para balizar o conceito:

"A literacia mediática diz respeito a todos os tipos de media, nomeadamente televisão, cinema, vídeo, sítios Web, rádio, jogos vídeo e comunidades virtuais. De forma sintética, pode dizer-se que é a capacidade de aceder, compreender, avaliar e criar os conteúdos dos media. O cidadão comum cada vez mais tem acesso a – e coloca em linha - conteúdos que são visíveis em todo mundo. No entanto, nem todos compreendem ainda plenamente o contexto em que esses materiais são escritos, vistos ou lidos, nem as possíveis consequências da publicação directa dos mesmos. Consequentemente, é necessário que todos os cidadãos adquiram novas qualificações como comunicadores activos e criadores de conteúdos. Num ambiente mundial e multicultural, surgem novos desafios relacionados com os media que levantam problemas no que respeita à segurança, à inclusão e à disponibilidade de acesso para todos."

domingo, 28 de outubro de 2007

Infoinclusões...dos outros

Da mentira como virtude política. De António Barreto no Público de 28/10 (só para assinantes) glosando um tema já aqui comentado: "A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação, contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação.(...) Se os nossos media escritos, falados ou televisivos, estivessem à altura, talvez a sucessão de mentiras não fosse tão rica. Mas também parece que, com frequência crescente, gostam do novo hábito. Que usam com volúpia. Ou perdoam com malícia. "

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Infoinclusões...dos outros

Santana Lopes, herói nacional? João Miguel Tavares parou para pensar um bocadinho e desarrincou uma prosa brilhante. Aqui.

domingo, 1 de julho de 2007

Infoinclusões...dos outros

Blogs e jornais. De José no Grande Loja do Queijo Limiano.

Blogosfera sob escuta para empresas e políticos. De João Pedro Pereira na edição #18 em papel do Suplemento "Digital" do Público (só para assinantes): "A Seara.com, uma empresa portuguesa de consultoria na área da Internet, lançou o E.Life, um serviço que permite aos clientes acompanhar o que se diz sobre eles na Internet portuguesa -desde textos na blogosfera a comentários em fóruns, redes sociais ou outros espaços que permitam aos utilizadores inserir conteúdo. A tecnologia, desenvolvida por uma firma brasileira, recolhe comentários que incluam uma referência a uma marca ou pessoa (ou qualquer outro termo que seja pedido por quem usa o sistema)."

A 'Princesa do Povo' - Dez Anos de Mentiras. De Miguel Sousa Tavares no Expresso.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A lógica do consumo "pós-moralista"

No passado fim-de-semana, o filósofo francês Gilles Lipovetsky veio a Lisboa dizer que "é preciso corrigirmos o lugar que o consumo ocupa nas nossas vidas, fazendo-o em nome de uma ética das pessoas e não da felicidade". Embora admitindo que as satisfações materiais são ingredientes de uma vida feliz, Lipovetsky sublinhou que "o crucial é que as satisfações aconteçam fora dos paraísos passageiros do consumo". Todavia, manifestou-se "contra a postura hipócrita de alguns intelectuais que consideram que a evasão efémera é uma necessidade inferior". Longe estão as visões fundamentalmente escapistas e redutoras do consumo, segundo as quais as pessoas trabalhavam para consumir e, em seguida, consumiam-se a trabalhar, fechando um ciclo sem saída possível. Ao pugnar por "uma ecologia mais equilibrada da existência" corrigindo o lugar que o consumo ocupa em nome de uma ética das pessoas, Lipovetsky tende a associá-lo à cidadania, de modo a que o valor atribuído ao consumo possa ter uma expressão equiparável aos valores cívicos. Porque a cidadania mudou (já não é só sócio-política, é também económica e cultural) e o consumo também mudou (já não é só económico, é também sócio-político e cultural). Para um cidadão e consumidor particularmente atento à situação nos media é exemplar o quadro referencial elaborado por Michael Schudson no ensaio "Citizens, Consumers, and the Good Society". Advogando uma posição "pós-moralista" na análise da cultura de consumo, Schudson sustenta que é um erro identificar a acção política com motivações altruístas de dedicação à causa pública e, em oposição, identificar os comportamentos consumistas apenas com motivações de interesse próprio. Ambos os comportamentos - sustenta Michael Schudson - podem ser uma e outra coisa. Desde a década de 70 do século passado, com Jean Baudrillard e Guy Debord, sabemos que o consumo é uma ameaça para o equilíbrio do ser humano e a espectacularização um risco para a sociedade. Aos consumidores dos meios de comunicação social resta tentar fazer a apropriação do consumo e do espectáculo, veiculados pelos media, de molde a transformar ambos num leque de oportunidades para a cidadania.

domingo, 27 de maio de 2007

Princípios para uma literacia mediática

A Alliance for a Media Literate America está a propor aos seus membros a ratificação de um conjunto de princípios destinados a nortear as actividades de todos aqueles que se preocupam com a educação para uma literacia mediática. As principais linhas de força do documento são seis. A saber:

1. Media Literacy Education requires active inquiry and critical thinking about the messages we receive and create.
2. Media Literacy Education expands the concept of literacy (i.e., reading and writing) to include all forms of media.
3. Media Literacy Education builds and reinforces skills for learners of all ages. Like literacy, those skills necessitate integrated, interactive, and repeated practice.
4. Media Literacy Education develops informed, reflective and engaged participants essential for a democratic society.
5. Media Literacy Education recognizes that media are a part of culture and function as agents of socialization.
6. Media Literacy Education affirms that people use their individual skills, beliefs and experiences to construct their own meanings from media messages.


O desenvolvimento de cada um destes pontos dos Core Principles for Media Literacy Education pode ser encontrado aqui.

(dica de EDUCOMUNICAÇÃO / EDUCOMUNICACIÓN)

sábado, 21 de abril de 2007

Projectos profissionais e projectos políticos

Para quem tinha ilusões sobre o que representava a entrada da Prisa na Media Capital as declarações de Pina Moura ao Expresso têm o mérito de mostrar claramente o que está em jogo. O socialista, convidado para presidir ao Conselho de Administração da empresa proprietária da TVI, assume que continuará "a fazer política" mas agora nos média e garante que "não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente na comunicação social". O "cardeal laico, republicano e socialista" consegue ser ainda mais transparente do que o "conde" de Anadia, a quem sucede no cargo. Pais do Amaral limitava-se a reconhecer que, para ele, o negócio dos média sempre foi um negócio como os outros.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Os produtos híbridos

A inovação que constituem os automóveis híbridos é apenas mais um sinal dos tempos no caminho que nos conduz ao futuro. Tal como nos veículos também nos media a tentativa de conjugação do melhor de dois ou mais mundos está a fazer carreira e parece ser esse o objectivo a atingir pelo menos ao nível do público do mainstream, porque as élites, essas, necessitarão sempre de produtos diferenciados. Não é por acaso que, nos EUA, o programa televisivo Daily Show, onde se conjuga a informação, o entretenimento e o activismo, capta já a maior parte do público entre os 18 e os 34 anos. Durante a campanha presidencial de 2004 o show recebeu mais espectadores daquela faixa etária do que os clássicos Nightline, Meet the Press, Hannity & Colmes e todas as emissões noticiosas da noite. Hoje em dia, é no Daily Show que grande parte dos jovens adultos norte-americanos busca o contacto com a realidade moldando os seus princípios de cidadania a partir de um programa cujo formato replica, com humor, uma emissão informativa clássica. Se transmutarmos o conceito para a realidade portuguesa facilmente concluímos que o programa "Diz que é uma Espécie de Magazine" dos Gato Fedorento é o exemplo de uma emissão que persegue objectivos similares tendendo a atingir o pleno no mesmo público-alvo. E já conseguiu impôr-se no mainstream chegando ao horário nobre da televisão pública nacional. Os diferentes formatos de informação e de entretenimento vão-se confundindo, cada vez mais, e não vale a pena diabolizar o infotainment tout court porque qualquer produto de consumo mediático, desde que seja profissionalmente conseguido e ética e deontológicamente irrepreensível, tem a mesma dignidade. Assim, uma emissão de informação e entretenimento pode ser tão importante para a prossecução dos valores de cidadania como um programa com um formato perfeitamente diferenciado como é o caso tratado neste resumo de um trabalho de investigação, onde se chega à conclusão de que não é mais possível manter em compartimentos estanques a cidadania e o consumo dos media. Mais não seja porque a política passou a adoptar as regras do mercado para o seu funcionamento, como se pode ler aqui (há quem diga que, hoje em dia, vota-se como quem compra e que estão em causa os próprios fundamentos da democracia). Neste contexto, a cidadania deixou de ser apenas sócio-política e passou a ter também uma dimensão cultural e uma dimensão económica, que a vincula necessariamente ao consumo. Assim, a emergência de produtos mediáticos híbridos, de que vínhamos falando, é o espelho desta realidade de confluência de valores e de instâncias até agora antagónicas e a generalização do infotainment, que recebeu um impulso decisivo com a televisão, está já a alastrar à rádio e aos jornais, embora convenha relembrar que a imprensa escrita nunca foi feita somente de informação pura e dura, sempre houve fait-divers e trivialidades à mistura com assuntos mais sérios, e na rádio a institucionalização do formato jornalístico tem pouco mais de três décadas. Vem isto a propósito das recentes reformulações editoriais no Diário de Notícias e no Rádio Clube Português. João Marcelino e Luís Osório protagonizam cada um daqueles dois projectos cujo objectivo é, assumidamente, ganhar mais leitores e mais ouvintes. Se no caso do Diário de Notícias, João Marcelino tenta conjugar dois géneros informativos alegadamente antagónicos - o jornalismo dito de referência e o jornalismo dito popular - relativamente ao Rádio Clube, Luís Osório desdobra a emissão apresentando ao longo do dia uma sucessão de diferentes formatos radiofónicos: informação pura e dura da manhã, informação mais light à tarde e programas de call in (de desporto e confessionais) à noite. Para o sucesso ou o fracasso que o DN e o RCP possam vir a ter deverão contribuir os dois aspectos acima referidos. Por um lado, o peso da marca ética e deontológica com que cada um dos responsáveis quiser cunhar o respectivo projecto. Por outro, o profissionalismo que conseguirem imprimir às equipas que dirigem. À partida, o desafio é igual para ambos. Porém, é bom lembrar que João Marcelino, quando chegou à redacção do DN, já nada lhe era estranho no mundo dos jornais, enquanto Luís Osório só quando chegou ao Rádio Clube começou verdadeiramente a entrar no mundo da rádio.

sexta-feira, 30 de março de 2007

O fim da ditadura dos "media" tradicionais

"Quem não aparece na imprensa, na rádio e, sobretudo, na televisão não existe". A frase, recorrente desde há um par de anos, começa a fazer cada vez menos sentido devido ao alargamento das redes sociais proporcionadas pela Internet. E o mais certo é chegarmos a uma altura em que se poderá dizer que só existe quem estiver na Internet. Os infoexcluídos mais segregados serão aqueles que não aparecem na rede, que não são capazes de utilizar esta plataforma. Com isto não quero dizer que os media tradicionais desapareçam. Admito, porém, que o seu canal de difusão principal será, porventura, o telefone móvel ligado à Internet e não o papel, as ondas hertzianas ou o fio do cabo. Aqueles que se adaptarem mais depressa à convergência de plataformas como neste exemplo ou neste ou ainda neste ganharão a corrida do reconhecimento público, da notoriedade e da influência. Aliàs, esta última passa cada vez menos pelo tradicional condicionamento através dos conteúdos e mais pela criatividade no conteúdo da forma (já McLuhan dizia que o meio era a mensagem!). Para não se perder o comboio digital é preciso estar atento aos sinais de mudança porque as plataformas de comunicação e partilha abertas com a Internet (e-mail, chat, you tube, my space, hi5) aceleraram as transformações no domínio da interacção. Por isso, conceitos como cidadania, consumo e produção, aplicados aos media, não podem mais ser vistos como até agora.

O futuro dos "media" sem mediadores? (II)

No futuro, grande parte dos mediadores actuais deverá vir a integrar a amálgama de cidadãos/produtores/consumidores, que alimentarão o mainstream mediático. Só se manterão como mediadores os profissionais de excelência, que servirão os nichos de mercado, as élites. Porém, enquanto os participantes de fóruns, os produtores de blogues e podcasts não forem absorvidos pela indústria do mainstream mediático, os precursores da utilização das redes sociais têm oportunidade para medir forças com os media tradicionais. Até porque, para exercer influência, desde que se tenha uma rede de difusão, o que conta é o prestígio e não a desproporção dos meios. As redes sociais da Internet evitam a relação assimétrica dos media tradicionais. No meu blogue, no meu podcast, edito o que quero, como quero, sem constrangimentos de espaço ou de tempo, nem de qualquer relação de dependência face ao medium. Eu defino as regras e a forma como quero aparecer e os media tradicionais ainda não se aperceberam que vão perder o exclusivo do palco, que vão ter de reparti-lo com as redes sociais. E, das duas uma, ou se profissionalizam am altíssimo grau trabalhando para nichos de mercado, ou então, não conseguem fazer melhor que os cidadãos/produtores/consumidores de media e deixam de fazer sentido. À medida que as redes sociais de cidadãos/produtores/consumidores se vão impondo aos media estes deixam de ter autonomia para influenciar em exclusivo e vão perdendo importância social.

domingo, 18 de março de 2007

O futuro dos "media" sem mediadores?

A crescente interactividade proporcionada pelos media origina que os consumidores estão a tornar-se cada vez mais os produtores daquilo que consomem, num registo de circularidade que marca a era digital. Neste sentido, o circuito tende a fechar-se directamente entre produtores e consumidores, sem haver lugar a mediadores. Esta ligação directa entre produtores e consumidores terá outra consequência: mais tarde ou mais cedo a situação implicará o desvio das compensações atribuídas até agora aos mediadores para retribuir a componente produtiva dos consumidores. Estes, por enquanto, ainda se satisfazem com a abertura do palco que lhes é proporcionada consumando o egocasting e até admitem pagar para participar nos media, como pode ser visto neste resumo de um trabalho académico. Porém, há-de chegar uma altura em que os consumidores reivindicarão prestações pecuniárias, tal qual os profissionais que funcionam actualmente como mediadores. Seja como for, a concorrência será cada vez maior, devido ao espectro alargado de candidatos ao protagonismo, uma situação que servirá para a indústria refrear as veleidades retributivas dos cidadãos/consumidores. Nesse tempo, a cidadania será um conceito muito mais lato do que é hoje e o consumo não terá a carga condicionante que ainda mantém. Os consumos, ligados directamente à produção e à satisfação de necessidades cada vez mais individualizadas, serão entendidos como emancipadores, tal qual os contributos que cada um efectivar com vista a uma alargada participação cidadã.