"As interacções que acontecem nos mercados, embora condicionadas, são independentes dos meios tecnológicos. Devemos pensar nelas para lá destes meios."
António Mendes - Director da RFM
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 7 de março de 2008
Liberdade de recepção
O conceito original de liberdade de recepção foi desenvolvido por Philippe Breton (A manipulação da palavra, Edições Loyola, São Paulo, 1999) a partir da ideia de que a liberdade relativa à palavra é, com demasiada frequência, identificada tão somente com a liberdade de expressão.
Ora, as nossas instituições democráticas - diz Breton - protegem de modo rigoroso a primeira, mas interessam-se pouco pela segunda. "A possibilidade de manipulação da palavra vincula-se justamente a esse desequilíbrio. (...) Essa extensão da liberdade de palavra não apenas à liberdade de expressão, mas também à liberdade de mediação e, sobretudo, à liberdade de recepção corresponderia a uma etapa superior da democracia".
Tudo isto tem a ver com o âmbito deste blogue na medida em que, "um enunciado dado, entre determinados parceiros de uma interação, será manipulatório porque o público, por exemplo, não estará apto a decodificá-lo como tal". Por outro lado, nas comunicações exercidas através dos media ampliam-se as dificuldades: "uma mesma mensagem pode revelar-se manipulatória para uma parte do público e não manipulatória para outra, que já desarmou suas armadilhas" .
Segundo Philippe Breton, a manipulação da palavra tornou-se hoje comum nas sociedades modernas. "A democracia, que pôs a palavra no centro da vida pública, parece ameaçada pela proliferação das técnicas que visam nos obrigar, sem que nos apercebamos, a adotar determinado comportamento ou determinada opinião". Desta forma, só é completamente livre quem estiver em condições de dizer, autonomamente, sim ou não à recepção.
Ora, as nossas instituições democráticas - diz Breton - protegem de modo rigoroso a primeira, mas interessam-se pouco pela segunda. "A possibilidade de manipulação da palavra vincula-se justamente a esse desequilíbrio. (...) Essa extensão da liberdade de palavra não apenas à liberdade de expressão, mas também à liberdade de mediação e, sobretudo, à liberdade de recepção corresponderia a uma etapa superior da democracia".
Tudo isto tem a ver com o âmbito deste blogue na medida em que, "um enunciado dado, entre determinados parceiros de uma interação, será manipulatório porque o público, por exemplo, não estará apto a decodificá-lo como tal". Por outro lado, nas comunicações exercidas através dos media ampliam-se as dificuldades: "uma mesma mensagem pode revelar-se manipulatória para uma parte do público e não manipulatória para outra, que já desarmou suas armadilhas" .
Segundo Philippe Breton, a manipulação da palavra tornou-se hoje comum nas sociedades modernas. "A democracia, que pôs a palavra no centro da vida pública, parece ameaçada pela proliferação das técnicas que visam nos obrigar, sem que nos apercebamos, a adotar determinado comportamento ou determinada opinião". Desta forma, só é completamente livre quem estiver em condições de dizer, autonomamente, sim ou não à recepção.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
O que vale a participação do público na rádio e na TV?
Uma notícia e um artigo recentes, aqui e aqui, proporcionaram-me novos elementos de reflexão para aplicar à pergunta que dá título a este post e que, no fundo, retoma a ideia-chave da linha de investigação que venho desenvolvendo desde 2005, tendo em vista o conhecimento daquilo que está subjacente aos processos interactivos na rádio.
Alguns dos desafios levantados pela interacção que ocorre no espaço público mediático foram bem problematizados pelo jornalista e professor brasileiro Muniz Sodré: «Conversa-se na televisão, entrevistam-se personalidades ad nauseam, realizam-se audiências públicas nas várias instâncias do Legislativo, mas o resultado constante é a inanição dos discursos. Em outras palavras, o excesso de publicidade das expressões individuais não define aquele espaço em que se constitui politicamente a cidadania na sociedade ocidentalizada, isto é, o espaço público».
Ora, se o excesso de publicidade das expressões individuais já não chega para definir o espaço público, como poderemos vir a enquadrá-lo? Antes de mais, há que sublinhar que esta banalização e vulgarização dos discursos corresponde ao fim de um período em que coincidiam o espaço público e o espaço político. Por outro lado, na dita Sociedade da Informação, é o próprio conceito de cidadania que está também ele em mutação, alargando-se a outras vertentes para além do estritamente político.
Seguindo o pensamento de Muniz Sodré: "Na Era da Informação, as pessoas estariam mais voltadas para uma orientação relativa ao consumo ou ao entretenimento do que para a factualidade de natureza político-social tradicionalmente implicada nas notícias e nos debates relativos à condução política da sociedade." Sendo assim, parece certo que vamos ter de contar com o consumo e com o entretenimento para ajudar a definir o espaço público, conforme já desenvolvi aqui.
Todavia, a emergência de produtos mediáticos híbridos, nos quais a cidadania deixou de ser apenas sócio-política e passou a ter igualmente uma dimensão cultural e económica vinculada ao consumo, coloca novas questões. Já não basta saber o que vale a participação do público na rádio e na TV (a tal publicidade das expressões individuais no espaço público), mas também quanto vale essa mesma participação.
No Reino Unido, no ano passado, vieram a público vários escândalos envolvendo operadores televisivos que solicitavam a participação do público nos programas através da utilização menos ética de chamadas telefónicas de valor acrescentado. Agora, com o intuito de travar a desregulação daquilo a que poderemos chamar de "mercado do espaço público", o organismo regulador dos média ingleses (Ofcom), pretende instituir regras mais apertadas para os operadores. Segundo disse um responsável do Ofcom, "os telespectadores devem estar confiantes de que serão tratados de forma justa e consistente quando interagem com os programas televisivos”.
Alguns dos desafios levantados pela interacção que ocorre no espaço público mediático foram bem problematizados pelo jornalista e professor brasileiro Muniz Sodré: «Conversa-se na televisão, entrevistam-se personalidades ad nauseam, realizam-se audiências públicas nas várias instâncias do Legislativo, mas o resultado constante é a inanição dos discursos. Em outras palavras, o excesso de publicidade das expressões individuais não define aquele espaço em que se constitui politicamente a cidadania na sociedade ocidentalizada, isto é, o espaço público».
Ora, se o excesso de publicidade das expressões individuais já não chega para definir o espaço público, como poderemos vir a enquadrá-lo? Antes de mais, há que sublinhar que esta banalização e vulgarização dos discursos corresponde ao fim de um período em que coincidiam o espaço público e o espaço político. Por outro lado, na dita Sociedade da Informação, é o próprio conceito de cidadania que está também ele em mutação, alargando-se a outras vertentes para além do estritamente político.
Seguindo o pensamento de Muniz Sodré: "Na Era da Informação, as pessoas estariam mais voltadas para uma orientação relativa ao consumo ou ao entretenimento do que para a factualidade de natureza político-social tradicionalmente implicada nas notícias e nos debates relativos à condução política da sociedade." Sendo assim, parece certo que vamos ter de contar com o consumo e com o entretenimento para ajudar a definir o espaço público, conforme já desenvolvi aqui.
Todavia, a emergência de produtos mediáticos híbridos, nos quais a cidadania deixou de ser apenas sócio-política e passou a ter igualmente uma dimensão cultural e económica vinculada ao consumo, coloca novas questões. Já não basta saber o que vale a participação do público na rádio e na TV (a tal publicidade das expressões individuais no espaço público), mas também quanto vale essa mesma participação.
No Reino Unido, no ano passado, vieram a público vários escândalos envolvendo operadores televisivos que solicitavam a participação do público nos programas através da utilização menos ética de chamadas telefónicas de valor acrescentado. Agora, com o intuito de travar a desregulação daquilo a que poderemos chamar de "mercado do espaço público", o organismo regulador dos média ingleses (Ofcom), pretende instituir regras mais apertadas para os operadores. Segundo disse um responsável do Ofcom, "os telespectadores devem estar confiantes de que serão tratados de forma justa e consistente quando interagem com os programas televisivos”.
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domingo, 18 de novembro de 2007
"Debate Público" no RCP - interacção para a informação ou para o entretenimento?
O programa interactivo "Debate Público", no RCP (2ª a 6ª das 12h00 às 13h30), deu mais um passo para a descredibilização, dirão uns, ou para a assunção, dirão outros (entre os quais me incluo), de que este tipo de emissões dificilmente pode ser compaginado com regras jornalísticas estritas. Nos audiovisuais portugueses esta é a primeira vez que um programa que procura a expressão de pontos de vista privados sobre assuntos públicos (the expressive phone-in na terminologia de Andrew Crisell) é conduzido, não por jornalistas (Teresa Gonçalves tem número de Carteira Profissional mas há muito que deixou de exercer funções jornalísticas), mas por animadores/locutores, apesar de a interacção suscitada no programa não ter a ver com meras intervenções exibicionistas ou confessionais para as quais o animador/locutor estará profissionalmente mais vocacionado.
Ademais, acontece que Aurélio Gomes e Teresa Gonçalves (cujo profissionalismo não está, obviamente, em causa) são exactamente os mesmos profissionais que, das 16h00 às 17h00, apresentam a chamada "Hora Rosa-Chique", com temas das chamadas revistas cor-de-rosa, ambos os programas englobados num mesmo espaço radiofónico - "Escolhidos a dedo" - cujo lema é todo ele uma filosofia: "informação, entretenimento e vida social". E nesta amálgama está tudo dito: no que aos audiovisuais diz respeito, os assuntos públicos, as questões de cidadania, dificilmente escapam a um tratamento fora do âmbito do entretenimento e do consumo.
Ao apropriarem-se dos assuntos públicos, a rádio e a televisão (e as emissoras privadas por maioria de razão), tendem a fazer espectáculo com tais questões por forma a rendibilizar o investimento feito. E, mesmo nas emissoras públicas, há quem duvide de que, nos programas interactivos, seja possível manter o "rigor informativo" e sustente que tais programas "apesar de tratados pela informação e por jornalistas constituem espaços fortemente especulativos".
Assim sendo, pode dizer-se que, no espaço público da rádio, a interacção para a cidadania é cada vez menos dicotómica com a interacção para o consumo, como se concluiu aqui, pelo que, nos audiovisuais em geral, a interacção para a informação e para o entretenimento serão duas faces de uma mesma moeda e estarão, cada vez mais, de mão dada.
Ademais, acontece que Aurélio Gomes e Teresa Gonçalves (cujo profissionalismo não está, obviamente, em causa) são exactamente os mesmos profissionais que, das 16h00 às 17h00, apresentam a chamada "Hora Rosa-Chique", com temas das chamadas revistas cor-de-rosa, ambos os programas englobados num mesmo espaço radiofónico - "Escolhidos a dedo" - cujo lema é todo ele uma filosofia: "informação, entretenimento e vida social". E nesta amálgama está tudo dito: no que aos audiovisuais diz respeito, os assuntos públicos, as questões de cidadania, dificilmente escapam a um tratamento fora do âmbito do entretenimento e do consumo.
Ao apropriarem-se dos assuntos públicos, a rádio e a televisão (e as emissoras privadas por maioria de razão), tendem a fazer espectáculo com tais questões por forma a rendibilizar o investimento feito. E, mesmo nas emissoras públicas, há quem duvide de que, nos programas interactivos, seja possível manter o "rigor informativo" e sustente que tais programas "apesar de tratados pela informação e por jornalistas constituem espaços fortemente especulativos".
Assim sendo, pode dizer-se que, no espaço público da rádio, a interacção para a cidadania é cada vez menos dicotómica com a interacção para o consumo, como se concluiu aqui, pelo que, nos audiovisuais em geral, a interacção para a informação e para o entretenimento serão duas faces de uma mesma moeda e estarão, cada vez mais, de mão dada.
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domingo, 13 de maio de 2007
Cidadãos e consumidores mediáticos
A interacção social que ocorre através da rádio está a contribuir para a vinculação entre produtores e consumidores. Quer seja através do podcasting, quer seja através da participação em múltiplos formatos de programas interactivos, os consumidores estão também a tornar-se produtores. Paralelamente, esbatem-se, cada vez mais, os papéis entre os consumidores/produtores e os cidadãos. Daqui resulta a emergência de uma vinculação crescente entre a cidadania e o consumo, como se pode ver, a seguir, num excerto da apresentação utilizada para a defesa pública de um trabalho cujo resumo está aqui. A realização daquele trabalho serviu para a obtenção do Diploma de Estudos Avançados na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid.
O Espaço Público na rádio do século XXI
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sexta-feira, 30 de março de 2007
O fim da ditadura dos "media" tradicionais
"Quem não aparece na imprensa, na rádio e, sobretudo, na televisão não existe". A frase, recorrente desde há um par de anos, começa a fazer cada vez menos sentido devido ao alargamento das redes sociais proporcionadas pela Internet. E o mais certo é chegarmos a uma altura em que se poderá dizer que só existe quem estiver na Internet. Os infoexcluídos mais segregados serão aqueles que não aparecem na rede, que não são capazes de utilizar esta plataforma. Com isto não quero dizer que os media tradicionais desapareçam. Admito, porém, que o seu canal de difusão principal será, porventura, o telefone móvel ligado à Internet e não o papel, as ondas hertzianas ou o fio do cabo. Aqueles que se adaptarem mais depressa à convergência de plataformas como neste exemplo ou neste ou ainda neste ganharão a corrida do reconhecimento público, da notoriedade e da influência. Aliàs, esta última passa cada vez menos pelo tradicional condicionamento através dos conteúdos e mais pela criatividade no conteúdo da forma (já McLuhan dizia que o meio era a mensagem!). Para não se perder o comboio digital é preciso estar atento aos sinais de mudança porque as plataformas de comunicação e partilha abertas com a Internet (e-mail, chat, you tube, my space, hi5) aceleraram as transformações no domínio da interacção. Por isso, conceitos como cidadania, consumo e produção, aplicados aos media, não podem mais ser vistos como até agora.
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terça-feira, 6 de março de 2007
A Renascença não dorme...
Os ouvintes anónimos vão ser as futuras caras da Mega FM. Segundo o DE, vai ser proposto aos ouvintes que sejam eles a construir a comunicação da rádio. Este é mais um passo na interacção entre emissores e receptores. A confluência de papéis nos media, favorecida pela evolução tecnológica, está a criar um novo paradigma onde se misturam, por um lado, as noções de cidadania e consumo, como pode ser visto aqui, e, por outro, proporciona mais do que uma simbiose, gerando uma apropriação dos media tradicionais pelos utilizadores que dá que pensar sobre o que será, no futuro, o papel dos actuais profissionais.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Os novos consumos mediáticos
Na sequência do post “Pensar os jornais” de JPP, do feedback de leitores do ABRUPTO, e dos contributos para o debate lançados nos blogues INDÚSTRIAS CULTURAIS e BLOGUITICA, permito-me dar uma achega centrando-me no âmbito da interacção, apontada por PG como a saída para a crise por que passam os jornais. Ao competir com os novos consumos mediáticos gerados pelos audiovisuais e pela rede, a imprensa (nomeadamente a dita “de referência”) pode chegar a soluções para o impasse em que se encontra tirando partido das conclusões a que se vai chegando com as experiências interactivas noutros media. Neste resumo, que documenta um trabalho feito por mim no âmbito de um programa doutoral, pode ver-se como a interacção deixou de ser um fenómeno linear, sem estar exclusivamente vinculada quer a aspectos de consumo, por um lado, ou a aspectos de cidadania, por outro. Em vez disso, parece cada vez mais claro que a interacção estabelece correlações com a cidadania e com o consumo a partir de uma lógica em que uma nova prática cidadã interage directamente com a cultura do consumo através de um modelo de convivência que gera um novo paradigma de cidadania e que transforma o receptor em produtor. Assim, a crescente interacção vivida através dos media ajuda a explicar a emergência do conceito de cidadãos-consumidores, no qual a cidadania deixa de ter apenas uma dimensão sócio-política, mas passa também a ter uma dimensão sócio-comunicacional, cultural e económica. Por todo este conjunto de razões, a mudança em curso no sentido dos consumos mediáticos interactivos não pode deixar de levar em linha de conta que o perfil dos cidadãos (das elites e não só) se alterou e que tal como diz Pacheco Pereira “é preciso ir mais longe na análise da crise e pensar as questões de forma (…) como questões de conteúdo”.
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