O projecto do RCP, desenvolvido sob a liderança de Luís Osório, teve um pecado original que, deve dizer-se em abono da verdade, não passou sequer pela opção do formato - a chamada rádio de palavra.
Desde o início, a estratégia da Prisa foi clara: envolver os agentes políticos, económicos, culturais e desportivos, convidando protagonistas para as mais variadas participações na emissão num registo em que o jornalismo e a promoção se confundiam bastas vezes. Começando por alimentar vaidades pessoais e seduzindo instituições, o RCP procurava, posteriormente, replicar noutros agentes o seu grau de influência, alargando assim o poder da estação de rádio no conjunto da sociedade.
Só que, quem participa fica sempre à espera de algum tipo de retorno, mais que não seja ao nível da visibilidade e da notoriedade. A partir do momento em que o reconhecido poder do grupo Prisa não foi tendo tradução nas audiências a influência do RCP foi-se desvanecendo.
É preciso que se diga que o busílis da questão está sempre na consistência com que o projecto é executado. Se não houver estabilidade, suportada por uma liderança credível e coerente, não há marketing que disfarce a situação. Ao fim de algum tempo, terminado o benefício da dúvida, a capacidade para seduzir os agentes vai diminuindo e a ambição pela capacidade de influência morre na praia.
No caso presente, uma a uma foram falhando as apostas da estação porque o RCP teve um pecado original chamado Luís Osório. O director-geral da estação não conseguiu estabilizar a equipa e os exemplos foram-se multiplicando: os directores de programas e de informação não aqueciam o lugar, os lugares da restante estrutura eram periodicamente alterados e as entradas e saídas de pessoas sucediam-se a um ritmo assinalável, entre as quais um número significativo de estagiários. Quanto aos profissionais que iam ficando, exceptuando o grupo de indefectíveis que constituía o núcleo duro do director-geral, acabavam por se conformar perante a falta de uma alternativa laboral consistente. Acrescem a isto, as constantes mudanças na grelha de programas e as apostas em "estrelas" que, sucessivamente, se vinham a revelar erros de casting.
Devo ainda dizer que, após a avaliação pessoal que fiz no final de 2005 e que me levou a abandonar o projecto no ano seguinte, nada do que se passou posteriormente me espantou sobremaneira. De resto, não haveria muito mais a esperar de quem, há quase quatro anos, chegou à Media Capital com um histórico lastimável no jornal A Capital a que juntou, apressadamente, uns conceitos sobre rádio colados a cuspo e umas ideias assopradas ao ouvido a propósito da estação onde ia entrar. Os episódios posteriores apenas me levaram a reforçar a convicção de que, desde o início, se tratou de tentar pôr de pé um projecto político travestido de um projecto profissional.
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terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 24 de março de 2008
O Jornalismo e a Rádio
Quem se lembra dos anos 60 do século passado sabe que não havia jornalistas na rádio. Havia locutores (noticiaristas) que liam as notícias dos jornais, correndo até aquele exemplo extremo de um locutor que, a dada altura, terá dito: “O Chefe de Estado, como se pode ver na figura ao lado, inaugurou ontem mais uma unidade industrial…”
Exceptuando a informação desportiva e algumas reportagens de figuras ímpares como Fernando Pessa, Artur Agostinho ou Maria Leonor, o jornalismo radiofónico só começou a ter identidade própria com o serviço de noticiários do Rádio Clube Português, no final dos anos 60. Ainda assim, os "noticiaristas" do RCP não eram reconhecidos como jornalistas tout court. As crónicas parlamentares de Viriato Dias, no programa “Página 1” da Rádio Renascença, já nos anos 70, constituiam uma excepção à regra na medida em que eram asseguradas por um jornalista encartado.
Foi só após o 25 de Abril, mais concretamente em 1976, que a rádio passou a ter nos seus quadros jornalistas com carteira profissional, atribuída aos então designados redactores-locutores. Para além da redacção de notícias, os jornalistas da rádio passaram a ter também a responsabilidade de assumir os outros géneros jornalísticos, como a entrevista ou a reportagem, até aí assegurados indistintamente por outros profissionais.
A estabilização deste processo acabou por resolver os equívocos resultantes de situações em que profissionais de rádio não jornalistas pudessem, com a sua actuação, enviesar as técnicas e a deontologia próprias do jornalismo. Até que, passados mais de trinta anos, a concretização do projecto de uma rádio que se apresentou com ambições de ter um forte pendor informativo, o Rádio Clube (Português), vem relançar a ambiguidade ao colocar jornalistas e apresentadores/locutores a par, nas mesmas funções, como acontece, presentemente, na série de entrevistas a 20 personalidades do Porto, conduzidas por um apresentador e por um jornalista convidado ou, como também já sucedeu, apenas por dois apresentadores da estação.
A questão, de resto, não é inédita no RC(P) onde o programa “Debate Público”, um fórum de discussão com características eminentemente informativas, não é conduzido por jornalistas, mas sim por apresentadores/locutores, cuja função não está sujeita às normas de equidade, distanciamento e independência próprias do jornalismo.
Perante tal situação, fica a perplexidade que me leva a suscitar duas interrogações. Afinal, qual deverá ser o papel dos locutores/apresentadores, nos espaços com carácter jornalístico, de uma rádio assumidamente informativa? Poderão eles, em algum caso, não ser jornalistas?
Exceptuando a informação desportiva e algumas reportagens de figuras ímpares como Fernando Pessa, Artur Agostinho ou Maria Leonor, o jornalismo radiofónico só começou a ter identidade própria com o serviço de noticiários do Rádio Clube Português, no final dos anos 60. Ainda assim, os "noticiaristas" do RCP não eram reconhecidos como jornalistas tout court. As crónicas parlamentares de Viriato Dias, no programa “Página 1” da Rádio Renascença, já nos anos 70, constituiam uma excepção à regra na medida em que eram asseguradas por um jornalista encartado.
Foi só após o 25 de Abril, mais concretamente em 1976, que a rádio passou a ter nos seus quadros jornalistas com carteira profissional, atribuída aos então designados redactores-locutores. Para além da redacção de notícias, os jornalistas da rádio passaram a ter também a responsabilidade de assumir os outros géneros jornalísticos, como a entrevista ou a reportagem, até aí assegurados indistintamente por outros profissionais.
A estabilização deste processo acabou por resolver os equívocos resultantes de situações em que profissionais de rádio não jornalistas pudessem, com a sua actuação, enviesar as técnicas e a deontologia próprias do jornalismo. Até que, passados mais de trinta anos, a concretização do projecto de uma rádio que se apresentou com ambições de ter um forte pendor informativo, o Rádio Clube (Português), vem relançar a ambiguidade ao colocar jornalistas e apresentadores/locutores a par, nas mesmas funções, como acontece, presentemente, na série de entrevistas a 20 personalidades do Porto, conduzidas por um apresentador e por um jornalista convidado ou, como também já sucedeu, apenas por dois apresentadores da estação.
A questão, de resto, não é inédita no RC(P) onde o programa “Debate Público”, um fórum de discussão com características eminentemente informativas, não é conduzido por jornalistas, mas sim por apresentadores/locutores, cuja função não está sujeita às normas de equidade, distanciamento e independência próprias do jornalismo.
Perante tal situação, fica a perplexidade que me leva a suscitar duas interrogações. Afinal, qual deverá ser o papel dos locutores/apresentadores, nos espaços com carácter jornalístico, de uma rádio assumidamente informativa? Poderão eles, em algum caso, não ser jornalistas?
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Rádio Clube – uma rádio de influência?
A auto-promoção garante que sim, reiterando aquilo que Luís Osório tem defendido desde que chegou ao RCP faz agora dois anos, precisamente no dia 1 de Novembro de 2005. Ganhar influência mediática foi, desde o início, um dos objectivos assumidos publicamente pelo director da estação e o conceito acabou mesmo por ter tradução em nomes de programas e rubricas. Ele é a “Rede de influência”, ele é o “Clube económico – jornal de influência” ou ainda a “Influência directa” (este programa, entretanto, já descontinuado no meio da voragem errática que tem atingido profissionais e programas desde o arranque do novo formato do RCP ocorrido em 29 de Janeiro de 2007).
As mudanças começaram logo ao segundo dia com a substituição da primeira apresentadora do programa “Posto de Escuta” que tinha sido escolhida “após um rigoroso e exigente casting”. Depois, ao longo dos meses, sucederam-se as alterações: fechou a “Loja do chinês”, inicialmente apresentado como um grande programa de humor; eclipsou-se o “Tudo é possível” apesar da garantia de ser este o programa mais popular de toda a grelha do Rádio Clube; a grande aposta para as tardes de 2ª a 6ª feira na “Janela aberta”, Célia Bernardo, foi remetida para as manhãs do fim-de-semana; Luís Filipe Borges, o badalado humorista-entrevistador desapareceu do éter depois do Verão; a “Torre de Babel”, do multifacetado opinion maker Nuno Rogeiro, deve ter-se desmoronado porque deixou de se ouvir falar dela; para além do meteórico aparecimento, numa semana, de um programa de astrologia africana que, na semana seguinte, passou para a Romântica FM.
Cito estes exemplos de memória, mas muitos outros ajustamentos de pessoas e horários foram sendo feitos ao longo deste ano, sempre justificados como reforços da grelha que, nalguns casos, não duraram mais do que poucas semanas (escaparam dignamente às instáveis opções hertzianas de Luís Osório o “Minuto a Minuto” de João Adelino Faria e o “Escolhidos a dedo” da dupla Aurélio Gomes/Teresa Gonçalves). Porém, aparentemente, toda esta agitação nem sequer teria razões para ocorrer uma vez que foi feita uma longa preparação logística e de formação de pessoal antes do arranque do novo formato do RCP. O switch-on do projecto esteve inicialmente apontado para Setembro de 2006 mas acabou por ser adiado para Janeiro de 2007, mês durante o qual decorreu uma limpeza de antena, com os serviços reduzidos ao mínimo, a fim de ajudar o auditório na caracterização do novo formato.
Vem tudo isto a propósito daquilo que reputo como a primeira condição para se conseguir influência – a credibilidade. Por mais esforçado que seja o marketing, os factos que evidenciam dificuldades em manter uma coerência na grelha, a imaturidade revelada por algumas das escolhas, aparentemente definidas menos por critérios profissionais e mais por amiguismo ou compadrio dentro de um quadro que na blogosfera chegou a ser ironicamente apresentado como tratando-se de um grupo organizado, e o esquecimento de que não se consegue influenciar sem compreender o meio (Hannah Arendt dizia, de resto, que interessava-lhe muito mais compreender do que influenciar) podem fazer desmoronar as ambições de qualquer projecto.
Para além disso, a verdadeira credibilidade é aquela que é reconhecida, e não a que nos pretendem impor. Não é por conceder espaços de antena a esmo a protagonistas e a opinion makers, ou por se fazerem mais ou menos “fretes”, que se conquista um reconhecimento sustentado. A prazo, toda essa construção esboroa-se, ao ser detectada pela opinião pública, e as concessões acabam por não dar os frutos desejados.
Nos primeiros tempos da TSF (e honra seja feita ao Emídio Rangel da altura pelo espírito que incutiu na sua equipa) os “barões” da rádio de então (João David Nunes na Comercial, Magalhães Crespo na Renascença) minimizaram os efeitos da concorrência dos “miúdos da TSF” até que tiveram que acabar por dar crédito à nova estação. E isto, porque havia uma linha de rumo definida e um know-how competente que fez com que fossem os protagonistas a quererem aparecer na antena de uma TSF que se impôs como credível.
Chegados a este ponto passamos à segunda condição para se conseguir ganhar influência – a notoriedade. Utilizando o registo de audiências feito pelo Bareme Rádio da Marktest podemos verificar que o RCP passou de mais de 3% de A.A.V. , antes da chegada de Luís Osório, para os actuais 1% de A.A.V. (3º trimestre de 2007). Já se sabe que as audiências do Bareme Rádio valem o que valem e as suas debilidades estão identificadas. Porém, se os dados actuais não servirem para mais nada servem, pelo menos, para determinar uma tendência. E essa é, manifestamente, desoladora para o RCP desde há dois anos a esta parte:
2º trimestre de 2005 – 3,6% A.A.V.
3º trimestre de 2005 – 3,2% A.A.V.
4º trimestre de 2005 – 3,1% A.A.V.
1º trimestre de 2006 – 3,2% A.A.V.
2º trimestre de 2006 – 2,3% A.A.V.
3º trimestre de 2006 – 2,4% A.A.V.
4º trimestre de 2006 – 2,4% A.A.V.
1º trimestre de 2007 – 2,2% A.A.V.
2º trimestre de 2007 – 1,4% A.A.V.
3º trimestre de 2007 – 1,0% A.A.V.
Analisando apenas o período que contempla a mudança radical de formato para uma rádio de palavra (a partir de Janeiro de 2007) o declínio do grau de notoriedade revelado pelas audiências é ainda mais acentuado. Porém, segundo os responsáveis do RCP e também no entender de alguns comentadores que comungam da mesma opinião, a explicação está no facto de terem migrado para outras estações quase todos os ouvintes que preferiam o formato anterior, enquanto que os novos ouvintes favoráveis ao actual formato estão ainda a ser conquistados.
Seja como for, com a actual cifra de 1% de A.A.V. (traduzida em cerca de 83 mil ouvintes de um universo potencial de 8 milhões e 300 mil), somada à falta de estabilidade de uma grelha que sustente a credibilidade do projecto, é difícil conceder que o RCP possa ser considerado, desde já, uma rádio de influência. Até porque quem tem uma efectiva influência não precisa andar a alardear aos quatro ventos que a tem ou que a quer ter. Pura e simplesmente são os outros que lhe reconhecem, ou não reconhecem, tal prestígio.
As mudanças começaram logo ao segundo dia com a substituição da primeira apresentadora do programa “Posto de Escuta” que tinha sido escolhida “após um rigoroso e exigente casting”. Depois, ao longo dos meses, sucederam-se as alterações: fechou a “Loja do chinês”, inicialmente apresentado como um grande programa de humor; eclipsou-se o “Tudo é possível” apesar da garantia de ser este o programa mais popular de toda a grelha do Rádio Clube; a grande aposta para as tardes de 2ª a 6ª feira na “Janela aberta”, Célia Bernardo, foi remetida para as manhãs do fim-de-semana; Luís Filipe Borges, o badalado humorista-entrevistador desapareceu do éter depois do Verão; a “Torre de Babel”, do multifacetado opinion maker Nuno Rogeiro, deve ter-se desmoronado porque deixou de se ouvir falar dela; para além do meteórico aparecimento, numa semana, de um programa de astrologia africana que, na semana seguinte, passou para a Romântica FM.
Cito estes exemplos de memória, mas muitos outros ajustamentos de pessoas e horários foram sendo feitos ao longo deste ano, sempre justificados como reforços da grelha que, nalguns casos, não duraram mais do que poucas semanas (escaparam dignamente às instáveis opções hertzianas de Luís Osório o “Minuto a Minuto” de João Adelino Faria e o “Escolhidos a dedo” da dupla Aurélio Gomes/Teresa Gonçalves). Porém, aparentemente, toda esta agitação nem sequer teria razões para ocorrer uma vez que foi feita uma longa preparação logística e de formação de pessoal antes do arranque do novo formato do RCP. O switch-on do projecto esteve inicialmente apontado para Setembro de 2006 mas acabou por ser adiado para Janeiro de 2007, mês durante o qual decorreu uma limpeza de antena, com os serviços reduzidos ao mínimo, a fim de ajudar o auditório na caracterização do novo formato.
Vem tudo isto a propósito daquilo que reputo como a primeira condição para se conseguir influência – a credibilidade. Por mais esforçado que seja o marketing, os factos que evidenciam dificuldades em manter uma coerência na grelha, a imaturidade revelada por algumas das escolhas, aparentemente definidas menos por critérios profissionais e mais por amiguismo ou compadrio dentro de um quadro que na blogosfera chegou a ser ironicamente apresentado como tratando-se de um grupo organizado, e o esquecimento de que não se consegue influenciar sem compreender o meio (Hannah Arendt dizia, de resto, que interessava-lhe muito mais compreender do que influenciar) podem fazer desmoronar as ambições de qualquer projecto.
Para além disso, a verdadeira credibilidade é aquela que é reconhecida, e não a que nos pretendem impor. Não é por conceder espaços de antena a esmo a protagonistas e a opinion makers, ou por se fazerem mais ou menos “fretes”, que se conquista um reconhecimento sustentado. A prazo, toda essa construção esboroa-se, ao ser detectada pela opinião pública, e as concessões acabam por não dar os frutos desejados.
Nos primeiros tempos da TSF (e honra seja feita ao Emídio Rangel da altura pelo espírito que incutiu na sua equipa) os “barões” da rádio de então (João David Nunes na Comercial, Magalhães Crespo na Renascença) minimizaram os efeitos da concorrência dos “miúdos da TSF” até que tiveram que acabar por dar crédito à nova estação. E isto, porque havia uma linha de rumo definida e um know-how competente que fez com que fossem os protagonistas a quererem aparecer na antena de uma TSF que se impôs como credível.
Chegados a este ponto passamos à segunda condição para se conseguir ganhar influência – a notoriedade. Utilizando o registo de audiências feito pelo Bareme Rádio da Marktest podemos verificar que o RCP passou de mais de 3% de A.A.V. , antes da chegada de Luís Osório, para os actuais 1% de A.A.V. (3º trimestre de 2007). Já se sabe que as audiências do Bareme Rádio valem o que valem e as suas debilidades estão identificadas. Porém, se os dados actuais não servirem para mais nada servem, pelo menos, para determinar uma tendência. E essa é, manifestamente, desoladora para o RCP desde há dois anos a esta parte:
2º trimestre de 2005 – 3,6% A.A.V.
3º trimestre de 2005 – 3,2% A.A.V.
4º trimestre de 2005 – 3,1% A.A.V.
1º trimestre de 2006 – 3,2% A.A.V.
2º trimestre de 2006 – 2,3% A.A.V.
3º trimestre de 2006 – 2,4% A.A.V.
4º trimestre de 2006 – 2,4% A.A.V.
1º trimestre de 2007 – 2,2% A.A.V.
2º trimestre de 2007 – 1,4% A.A.V.
3º trimestre de 2007 – 1,0% A.A.V.
Analisando apenas o período que contempla a mudança radical de formato para uma rádio de palavra (a partir de Janeiro de 2007) o declínio do grau de notoriedade revelado pelas audiências é ainda mais acentuado. Porém, segundo os responsáveis do RCP e também no entender de alguns comentadores que comungam da mesma opinião, a explicação está no facto de terem migrado para outras estações quase todos os ouvintes que preferiam o formato anterior, enquanto que os novos ouvintes favoráveis ao actual formato estão ainda a ser conquistados.
Seja como for, com a actual cifra de 1% de A.A.V. (traduzida em cerca de 83 mil ouvintes de um universo potencial de 8 milhões e 300 mil), somada à falta de estabilidade de uma grelha que sustente a credibilidade do projecto, é difícil conceder que o RCP possa ser considerado, desde já, uma rádio de influência. Até porque quem tem uma efectiva influência não precisa andar a alardear aos quatro ventos que a tem ou que a quer ter. Pura e simplesmente são os outros que lhe reconhecem, ou não reconhecem, tal prestígio.
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Troca a televisão pela rádio
Depois de João Adelino Faria, que deixou a SIC-Notícias para ir apresentar as manhãs do RCP, uma outra figura dos écrans vai trocar a televisão pela rádio da Media Capital, a partir de Setembro.
O anúncio foi feito ontem pelo director do RCP, Luís Osório, durante o debate "Quantos dias para a rádio", que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa. Luís Osório escusou-se, contudo, a revelar o nome do novo reforço televisivo que está a caminho do RCP.
O anúncio foi feito ontem pelo director do RCP, Luís Osório, durante o debate "Quantos dias para a rádio", que decorreu na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa. Luís Osório escusou-se, contudo, a revelar o nome do novo reforço televisivo que está a caminho do RCP.
domingo, 10 de junho de 2007
Convidados com assinatura no RCP
José Jorge Letria bisou este fim-de-semana no RCP. No sábado, das 13h00 às 14h00, foi um dos convidados do programa "Na Sombra da História", a propósito da evocação de Luís de Sttau Monteiro. No domingo, das 12h00 às 13h00, voltou a ser convidado para o programa "E se...", dedicado à passagem dos 40 anos do lançamento do disco "Sargeant Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles. Nas últimas semanas, recordo-me de ter ouvido o mesmo José Jorge Letria em, pelo menos, outros dois programas: no "Da Noite para o Dia", com Alexandre Honrado, comentando "o outro lado dos títulos das notícias" e fazendo ouvir a sua "Banda Sonora" no programa de Nuno Infante do Carmo.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Causas, negócio e credibilidade
Na linha do que já havia feito no jornal A Capital, sem que isso tivesse impedido o colapso do título, Luís Osório cunhou agora o RCP como uma rádio de causas. A primeira acção está a decorrer até ao final deste mês e pretende envolver a estação radiofónica na luta contra o problema da fome. Independentemente dos valores éticos que, acredito, possam estar subjacentes a uma atitude deste género, não podemos nunca esquecer que os media são um negócio e a dita responsabilidade social dos meios de comunicação acaba, muitas vezes, por servir interesses bem mais prosaicos. Como refere a investigadora argentina Rosalia Winocur, no seu livro Ciudadanos Mediáticos, "los medios han descobierto que abrir los micrófonos y ponerse la camiseta de defensor del pueblo es un negocio redondo para obtener credibilidad". A frase resume tudo o que há para dizer sobre causas, o negócio dos media e a credibilidade. Porém, convém nunca esquecer que o intuito último decorrente desta trilogia - a credibilidade - não se conquista só com bandeiras, nem com voluntarismo. É um trabalho de todos os dias, de todas as horas, que não se compadece com logros ou enganos. Na terça-feira, 8 de Maio, primeiro dia da acção contra a fome, o RCP anuncia por duas vezes (às 8h30 e às 9h30) um depoimento de José Saramago a propósito do assunto. Curioso, o ouvinte fica na expectativa e, afinal, o que lhe dão a ouvir? Não um depoimento do escritor sobre a acção, mas apenas uma reportagem em Azinhaga com familiares de José Saramago onde é enxertada uma gravação de arquivo com a leitura, pelo escritor, de um texto sobre a fome.
Actualização a 10/5
Fui cordialmente informado, por fonte do RCP, que a gravação de José Saramago não era de arquivo, uma vez que foi pedido explicitamente ao escritor para ler alguns excertos do seu livro "Pequenas Memórias". Feita a rectificação pontual mantenho a convicção da pertinência da observação. Tecnicamente, um "depoimento" sobre um tema não é a leitura de um excerto de um livro, nem tão pouco uma reportagem que foi, afinal, aquilo que foi apresentado aos ouvintes.
Actualização a 10/5
Fui cordialmente informado, por fonte do RCP, que a gravação de José Saramago não era de arquivo, uma vez que foi pedido explicitamente ao escritor para ler alguns excertos do seu livro "Pequenas Memórias". Feita a rectificação pontual mantenho a convicção da pertinência da observação. Tecnicamente, um "depoimento" sobre um tema não é a leitura de um excerto de um livro, nem tão pouco uma reportagem que foi, afinal, aquilo que foi apresentado aos ouvintes.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
O RCP tem 220 mil ouvintes?
Já sabemos que as auto-promoções valem o que valem. Mas, por respeito aos ouvintes, convém que não enviesem escandalosamente o rigor. Ouve-se numa auto-promoção do RCP que a estação tem 220 mil ouvintes, número obtido com base nos 2,2% de Audiência Acumulada de Véspera (AAV) registados na 1ª vaga de 2007 do Bareme Rádio da Marktest. Aquele número estaria correcto se o Universo fossem 10 milhões de pessoas. Mas, como se pode ver aqui não é esse o Universo do estudo. Concretamente, são 8 milhões, trezentos e onze mil quatrocentos e nove indivíduos, com 15 ou mais anos, residentes em Portugal Continental. Daqui resulta que uma percentagem de 2,2% equivale exactamente a 182 mil ouvintes.
sexta-feira, 30 de março de 2007
TSF, 1- Fernando Correia, 0
Em Janeiro passado, a TSF despediu Fernando Correia invocando incompatibilidade entre o seu trabalho na estação de rádio e a direcção do jornal "Diário Desportivo" que o radialista iria assumir. Três meses depois é o próprio Fernando Correia que aqui reconhece a incompatibilidade entre a direcção do jornal e o trabalho no Rádio Clube Português, estação para onde, entretanto, se transferira.
segunda-feira, 19 de março de 2007
RCP corrigiu o tiro
O alvo é a eleição do português mais importante da história da televisão e da rádio. O concurso foi apresentado no programa "Minuto a Minuto", de João Adelino Faria, a 7 de Março. Na altura, chamou-se aqui a atenção para o facto de um programa de informação estar a dar cobertura à realização de um concurso através de televotos. De então para cá, a iniciativa foi reposicionada. A prometida emissão especial do "Minuto a Minuto", anunciada para dia 20 de Março no link "O Português mais importante" e onde deveria ser divulgada a classificação, foi transferida para o programa da tarde "Janela Aberta", uma emissão mais facilmente enquadrável no conceito de infotainment, tanto mais que é conduzida por uma jornalista em parceria com um entertainer.
ACTUALIZAÇÃO A 22 de Março - O conteúdo do link "O Português mais importante" acima referido foi, entretanto, substituído por um outro texto que dá conta dos resultados do concurso. Para que se entenda o sentido do post anterior reproduz-se aqui o texto para o qual remetia o prévio link:
"Os ouvintes do Rádio Clube vão escolher quem é o português mais importante da história da televisão e da rádio. No Minuto a Minuto, João Adelino Faria já divulgou os nomeados. Agora, até ao próximo dia 19, são os ouvintes do Rádio Clube que vão escolher o melhor entre os melhores. Depois, no dia 20, numa emissão especial do 'Minuto a Minuto', João Adelino Faria vai moderar um grande debate entre figuras da televisão e da rádio e, obviamente, anunciar a classificação."
ACTUALIZAÇÃO A 22 de Março - O conteúdo do link "O Português mais importante" acima referido foi, entretanto, substituído por um outro texto que dá conta dos resultados do concurso. Para que se entenda o sentido do post anterior reproduz-se aqui o texto para o qual remetia o prévio link:
"Os ouvintes do Rádio Clube vão escolher quem é o português mais importante da história da televisão e da rádio. No Minuto a Minuto, João Adelino Faria já divulgou os nomeados. Agora, até ao próximo dia 19, são os ouvintes do Rádio Clube que vão escolher o melhor entre os melhores. Depois, no dia 20, numa emissão especial do 'Minuto a Minuto', João Adelino Faria vai moderar um grande debate entre figuras da televisão e da rádio e, obviamente, anunciar a classificação."
quinta-feira, 8 de março de 2007
Director adjunto de informação apresenta concurso
É a primeira deriva notória a caminho do entretenimento naquele que foi apresentado como o espaço privilegiado de informação do novo RCP. O director adjunto de informação, João Adelino Faria, que é também o pivot do programa "Minuto a Minuto", diariamente entre as 7 da manhã e o meio-dia, lançou ontem um "concurso" destinado a eleger a "personalidade nacional de televisão e rádio", conforme pode ser lido aqui. A 20 de Março, João Adelino Faria apresenta um programa especial para revelar os escolhidos pelo público do Rádio Clube. É óbvio que não está em causa a legitimidade pela opção deste formato de entretenimento. O que parece menos curial é a sua apresentação pelo director adjunto de informação e não por um outro apresentador ou animador da estação. Este episódio vem reforçar a conclusão a que se chegava aqui. Para os jornalistas, nomeadamente nos audiovisuais, está a tornar-se cada vez mais difícil conviver com as fronteiras entre a informação e o entretenimento.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
A forma e o conteúdo no novo RCP
Pondo de parte alguns percalços técnicos, parcialmente justificáveis na fase de ajustamento de um novo projecto, já é possível ter uma ideia sobre as questões de forma do novo RCP. E, desde já, parecem indesculpáveis aspectos do trabalho de pós-produção e difusão que configuram, antes de mais, desrespeito pelos ouvintes, designadamente a colocação no ar de programas pré-gravados com incongruências de linguagem relativamente ao tempo. Aqui fica um exemplo entre vários possíveis. Era terça-feira de Carnaval, 20 de Fevereiro, às 15h50 e a animadora Teresa Gonçalves diz: "Atenção às notícias das 3, vai ficar a saber da actualidade deste sábado". Aliàs, é comum a repetição de programas já apresentados, há vários dias, sem qualquer aviso prévio: a "Torre de Babel" de sábado, 17 de Fevereiro, foi repetida na terça-feira de Carnaval, deixando evidenciar o desfazamento temporal de alguns conteúdos incluídos no programa.
Outro aspecto nitidamente menorizado é a identidade sonora da estação que deixa ainda muito a desejar. Os jingles, os spots, as cortinas musicais, todas as marcas identificadoras do novo RCP são pouco expressivas e pouco apelativas. E, por maioria de razão, numa rádio de palavra as "respirações" proporcionadas pela linguagem sonora da estação são decisivas para o bom equilíbrio e agradabilidade no conforto de escuta. Sobre a qualidade radiofónica das vozes em antena, a dupla Aurélio Gomes/Teresa Gonçalves sobressai facilmente num contexto em que o acesso ao microfone é facultado a quem quer que seja, tenha ou não voz e preparação para isso. De resto, é comum na rádio dos nossos dias, confundir-se informalidade com falta de postura profissional, o que dá origem a muitos equívocos.
Apenas por uma razão metodológica as questões de forma foram aqui referidas separadamente, sabendo nós que é mais correcto pensá-las como questões de conteúdo. Todavia, ao descurarem abertamente algumas questões de forma, os responsáveis pelo projecto deixam indiciar que o conteúdo pode ter aqui um sentido meramente instrumental. Com que intuitos? Essa é uma pergunta a que só será possível responder mais tarde, após a estabilização do projecto, e depois de ser feita uma detalhada análise de conteúdo.
Outro aspecto nitidamente menorizado é a identidade sonora da estação que deixa ainda muito a desejar. Os jingles, os spots, as cortinas musicais, todas as marcas identificadoras do novo RCP são pouco expressivas e pouco apelativas. E, por maioria de razão, numa rádio de palavra as "respirações" proporcionadas pela linguagem sonora da estação são decisivas para o bom equilíbrio e agradabilidade no conforto de escuta. Sobre a qualidade radiofónica das vozes em antena, a dupla Aurélio Gomes/Teresa Gonçalves sobressai facilmente num contexto em que o acesso ao microfone é facultado a quem quer que seja, tenha ou não voz e preparação para isso. De resto, é comum na rádio dos nossos dias, confundir-se informalidade com falta de postura profissional, o que dá origem a muitos equívocos.
Apenas por uma razão metodológica as questões de forma foram aqui referidas separadamente, sabendo nós que é mais correcto pensá-las como questões de conteúdo. Todavia, ao descurarem abertamente algumas questões de forma, os responsáveis pelo projecto deixam indiciar que o conteúdo pode ter aqui um sentido meramente instrumental. Com que intuitos? Essa é uma pergunta a que só será possível responder mais tarde, após a estabilização do projecto, e depois de ser feita uma detalhada análise de conteúdo.
domingo, 11 de fevereiro de 2007
RCP - uma rádio de convidados
Ela aí está. Finalmente. A rádio que faltava em Portugal: uma rádio de convidados. Luís Osório tinha razão quando anunciava a presença de dezenas de convidados em cada dia como o grande valor acrescentado que o novo RCP vinha trazer à rádio portuguesa. De opinion-makers da política a cantores pimba, de astrólogos a sociólogos, do talhante do bairro ao ministro, todos têm lugar na “rede de influência” gerada pela abertura do microfone a uma plêiade de protagonistas, sejam eles pouco conhecidos ou determinantes figuras públicas. No geral, têm em comum a expectativa de uns minutos de fama consagrada neste modelo radiofónico. Por isso mesmo, nunca vão faltar convidados, mesmo que, por vezes, possa parecer discutível o interesse do discurso público deste ou daquele protagonista. No fundo, é levar ao extremo a lógica dos já testados fóruns radiofónicos (a forma mais barata de fazer rádio) com a economia de recursos que o modelo propicia aos operadores que, simultaneamente, podem apresentar o alargamento do espaço público como um valor acrescentado de ordem social. À rádio cabe disponibilizar o palco deixando brilhar o “you”, a personalidade do ano 2006 consagrada pela revista TIME. O público em geral, cada um de nós, vai gradualmente assumindo o papel anteriormente destinado aos profissionais dos media a quem vai restando fazer a figura de compère por mais diligente e bem intencionada que, à partida, seja a sua actuação. Aos jornalistas dos audiovisuais, nomeadamente, coloca-se de uma forma cada vez mais nítida a questão se o que fazem ainda é informação ou simplesmente entretenimento.
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