Metro: Crianças são directores por um dia
Até onde vamos chegar enquanto se fizer crer que todos podem fazer tudo e opinar sobre o que quer que seja? À descredibilização total!
terça-feira, 6 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Há jornalismo na blogosfera?
Há, sim senhor!... Com estados de alma. Como há na crónica, no comentário ou mesmo na reportagem.
domingo, 4 de maio de 2008
A edição em televisão
Nem de propósito! António Barreto, na sua coluna do Público de hoje sobre os "directos" em televisão, retoma o pano de fundo da questão por mim aflorada, aqui, relativamente à subvalorização a que se assiste na edição em rádio.
«Os jornalistas fazem cada vez menos a "edição" das "peças", das imagens e das reportagens dos "enviados" e "metem os brutos", isto é, põem no ar as sequências em bruto, tal como chegaram dos "enviados" ou das agências. O "directo" é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão.» (link só para assinantes).
Ora, convém não esquecer, os excessos a que assistimos actualmente na televisão começaram pela rádio, quando se quis carimbar a "rádio em directo" com o selo que garantiria automaticamente a qualidade do produto radiofónico, conforme já referi aqui:
«E não basta a transmissão da actualidade em directo para que o efeito surpresa funcione. Aliàs, já é tempo de acabar de vez com o mito rangeliano da "rádio em directo", tal é o uso e abuso que se tem feito do conceito. Para além de já quase nunca surpreender (são as conferências de imprensa na hora dos telejornais, são as declarações previsíveis, são as entrevistas de circunstância), quando se justifica, e na falta de grandes repórteres, o directo em rádio (e já agora também em televisão), tende a ser formalmente pobre e a fazer apelo às emoções mais primárias, quando não é, pura e simplesmente, idiota."
«Os jornalistas fazem cada vez menos a "edição" das "peças", das imagens e das reportagens dos "enviados" e "metem os brutos", isto é, põem no ar as sequências em bruto, tal como chegaram dos "enviados" ou das agências. O "directo" é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão.» (link só para assinantes).
Ora, convém não esquecer, os excessos a que assistimos actualmente na televisão começaram pela rádio, quando se quis carimbar a "rádio em directo" com o selo que garantiria automaticamente a qualidade do produto radiofónico, conforme já referi aqui:
«E não basta a transmissão da actualidade em directo para que o efeito surpresa funcione. Aliàs, já é tempo de acabar de vez com o mito rangeliano da "rádio em directo", tal é o uso e abuso que se tem feito do conceito. Para além de já quase nunca surpreender (são as conferências de imprensa na hora dos telejornais, são as declarações previsíveis, são as entrevistas de circunstância), quando se justifica, e na falta de grandes repórteres, o directo em rádio (e já agora também em televisão), tende a ser formalmente pobre e a fazer apelo às emoções mais primárias, quando não é, pura e simplesmente, idiota."
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sábado, 3 de maio de 2008
A edição em rádio
Continuo a achar que é uma falta de respeito pelos ouvintes repetir programas, transmitidos originalmente a uma determinada hora, num outro horário sem qualquer tipo de edição. Exemplo: este sábado, depois das 3 da tarde, no programa “Toda a Tarde” do RCP, ouvir dizer “bom dia” no decorrer da entrevista de João Adelino Faria a João Lagarto, transmitida dias antes durante a manhã. Quem apanha a entrevista a meio não sabe que, no início, avisou-se que se tratava de uma repetição. Ao proceder desta forma esqueceu-se que uma das características da rádio hertziana é ser irrepetível e deixar “ir para o ar” um “bom dia” às 3 da tarde, além de disparatado, é nitidamente uma desconsideração por quem ouve.
A meu ver, este é apenas um sinal de um quadro mais vasto que revela a importância, cada vez menor, dada à edição em rádio. Bem sei que sai mais caro, exige recursos técnicos e humanos, mas também sei que é a única maneira de se apresentar dignamente um produto previamente gravado (a não ser que a opção seja pelo live to tape e, nesse caso, tomam-se à partida os devidos cuidados para se evitar este tipo de “ruídos”).
Por analogia com o que se passa na imprensa ninguém ousaria passar para o papel de jornal a transcrição, pura e simples, de uma entrevista com as referências temporais que surgem ao longo de uma conversa, sem o devido enquadramento, nem com as interjeições (eh pá) ou as interrupções para justificar as ideias (um bom exemplo está aqui, onde se pode comparar o vídeo contendo excertos da entrevista com o texto escrito no jornal). Mas há rádios em que, jornalisticamente falando, parece que tudo é possível!...
A meu ver, este é apenas um sinal de um quadro mais vasto que revela a importância, cada vez menor, dada à edição em rádio. Bem sei que sai mais caro, exige recursos técnicos e humanos, mas também sei que é a única maneira de se apresentar dignamente um produto previamente gravado (a não ser que a opção seja pelo live to tape e, nesse caso, tomam-se à partida os devidos cuidados para se evitar este tipo de “ruídos”).
Por analogia com o que se passa na imprensa ninguém ousaria passar para o papel de jornal a transcrição, pura e simples, de uma entrevista com as referências temporais que surgem ao longo de uma conversa, sem o devido enquadramento, nem com as interjeições (eh pá) ou as interrupções para justificar as ideias (um bom exemplo está aqui, onde se pode comparar o vídeo contendo excertos da entrevista com o texto escrito no jornal). Mas há rádios em que, jornalisticamente falando, parece que tudo é possível!...
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A minha amiga rádio não é possessiva
Estou em casa a ler um livro com interesse e prazer. E, chegado à hora das notícias, quero saber como vai o mundo.
Recuso-me a ligar a televisão porque, já sei, é mais possessiva do que a rádio na medida em que me obriga a aplicar dois sentidos (visão e audição). É também mais absorvente porque me impede de continuar a ler.
Assim sendo, opto pela rádio. Apenas com a audição, assumida como escuta secundária, e em acumulação com a leitura proporcionada pela visão, satisfaço a minha necessidade de conhecer a actualidade. E não me desligo do livro, o que seria bem mais improvável perante um caleidoscópio de imagens e sons.
Recuso-me a ligar a televisão porque, já sei, é mais possessiva do que a rádio na medida em que me obriga a aplicar dois sentidos (visão e audição). É também mais absorvente porque me impede de continuar a ler.
Assim sendo, opto pela rádio. Apenas com a audição, assumida como escuta secundária, e em acumulação com a leitura proporcionada pela visão, satisfaço a minha necessidade de conhecer a actualidade. E não me desligo do livro, o que seria bem mais improvável perante um caleidoscópio de imagens e sons.
A literacia e a escola
Durante muito tempo a escola e os docentes apropriaram-se da literacia como um feudo seu. Com a mediatização da sociedade e o advento da literacia mediática tal enfeudamento deixou de ser possível. Num recente trabalho da UNESCO (dica de Manuel Pinto em educomunicação/educomunicación) advoga-se que a aplicação das competências da literacia informativa exige a transferência dos modelos educativos para outros contextos:
"Standards have been created as means to guide information literacy work in the education sector and have been shown to have utility in this context (Emmett, and Emde, 2007). All published standards have a similar foundation. As generic constructs these standards have application to both the economic sector and to lifelong learning capacities, which is to be expected given the purposes of education to prepare people for civic life and to develop or maintain people’s employment capacities. However, as will be outlined below, the situated nature of the application of IL skills requires these standards to be translated into operational variables in various contexts."
Assim, a actividade de um crítico de televisão ou de um provedor dos leitores, por exemplo, pode ser bem mais didáctica na desmontagem, em tempo útil, das representações mediáticas do que as, muitas vezes, gongóricas construções dos académicos.
"Standards have been created as means to guide information literacy work in the education sector and have been shown to have utility in this context (Emmett, and Emde, 2007). All published standards have a similar foundation. As generic constructs these standards have application to both the economic sector and to lifelong learning capacities, which is to be expected given the purposes of education to prepare people for civic life and to develop or maintain people’s employment capacities. However, as will be outlined below, the situated nature of the application of IL skills requires these standards to be translated into operational variables in various contexts."
Assim, a actividade de um crítico de televisão ou de um provedor dos leitores, por exemplo, pode ser bem mais didáctica na desmontagem, em tempo útil, das representações mediáticas do que as, muitas vezes, gongóricas construções dos académicos.
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Cidadãos-jornalistas?
Vai por aqui uma grande discussão sobre os chamados "cidadãos-jornalistas". Eu limito-me a perguntar: e os jornalistas não são cidadãos?
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