terça-feira, 11 de setembro de 2007

A gramática e a plástica da rádio

Toda a gente concordará facilmente que a linguagem do meio rádio é específica, relativamente à imprensa, à televisão ou, no caso presente, aos blogues.

Também a execução formal e a apresentação de um produto radiofónico deverá pressupor que o comunicador possua determinadas características e conhecimentos que são próprios do meio rádio.

Vem isto a propósito de quão penoso tem sido acompanhar os primeiros dias em antena da nova aposta para as tardes do RCP, Ana Sousa Dias.

As hesitações, as falhas na condução da emissão, os sucessivos pedidos de desculpa aos ouvintes e uma suposta informalidade revelam, sobretudo, um ténue conhecimento da gramática e da plástica da rádio por parte de alguém que, manifestamente, não está talhada para a função que lhe quiseram atribuir.

Não estão sequer em causa a experiência e os atributos de Ana Sousa Dias como jornalista/entrevistadora. Porque ela, no “Janela Aberta” do RCP, é muito mais do que isso. Como tal, ou se preparava devidamente para conduzir uma emissão com proficiência ou, então, não aceitava dar voz e desempenhar uma tarefa específica de um meio que, nitidamente, não domina.

Assim como não é normal que um jornalista formado no meio rádio salte directamente para responsável pela paginação da mancha gráfica num jornal ou para repórter de imagem numa televisão, o inverso também não deveria acontecer.

Apesar da tendência crescente para a convergência dos meios e polivalência de funções há especificidades do trabalho jornalístico que exigem um acumular de experiências e conhecimentos que devem ser adquiridos na retaguarda.

Porém, actualmente na rádio corrigem-se os erros e aprende-se “no ar” esquecendo que, mesmo no pára-quedismo, se começam por fazer os primeiros ensaios em terra.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ler jornais é saber mais?

Guerra no BCP longe do fim (Diário Económico)

Consenso no BCP: Estatutos alterados até ao fim do ano (Jornal de Negócios)

Accionistas do BCP continuam sem acordo para a assembleia (Público)

Acordo alcançado no BCP pacifica assembleia geral (Diário de Notícias)

Guerra mais acesa no BCP em vésperas de assembleia de accionistas (Jornal de Notícias)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Um trabalho simultâneo para rádio e televisão

É um sinal dos tempos que se traduz num desafio suplementar para a actividade jornalística: a produção de peças sobre um mesmo tema com destino a suportes diferentes. O conceito emergente está a chegar às redacções portuguesas, como se pode ler aqui, mas ainda não há respostas definitivas sobre se é viável e desejável, em todas as condições, a polivalência do trabalho simultâneo para rádio, televisão, imprensa ou internet. Tendo em vista que cada meio tem a sua linguagem específica, resta saber se o fim da especialização e o caminho para a convergência representa um efectivo benefício para o público ou, simplesmente, uma mais-valia para as empresas. Para os jornalistas o exercício até pode ser estimulante, como eu próprio ensaiei, em 2003, com esta peça para imprensa, este guião para peça de rádio e este audio da peça de rádio, produzidos no âmbito de um Curso de Especialização Pós-graduada em Jornalismo Médico e de Saúde. O futuro não tardará a esclarecer quais as condições e as contrapartidas que envolverão o desempenho polivalente da actividade jornalística.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Posso ser muito antiquado, mas não percebo...

Um jornalista envolvido numa acção de "street marketing". Assumidamente, sem qualquer máscara. Pode ler-se aqui.

domingo, 1 de julho de 2007

Vedeta da Prisa explica perda de credibilidade da rádio

Iñaki Gabilondo é uma das grandes referências jornalísticas da Prisa em Espanha e a sua recente reflexão, na Escola de Verão da Universidade Complutense de Madrid, pode servir de alerta para outras empresas do grupo, designadamente o RCP em Portugal. Do alto da sua experiência de 40 anos na rádio, em que apresentou durante anos a fio as manhãs informativas da Cadena SER, Gabilondo lamentou a "total perda de credibilidade" da rádio em Espanha como consequência de um processo de "alinhamento político" e das "tertúlias espectáculo" que provocaram o "pior que podia acontecer às rádios", que se tornaram "etiquetadas e marcadas politicamente".

Fonte: Madridpress.com, 28/06/07 via O segundo choque (digital)

Infoinclusões...dos outros

Blogs e jornais. De José no Grande Loja do Queijo Limiano.

Blogosfera sob escuta para empresas e políticos. De João Pedro Pereira na edição #18 em papel do Suplemento "Digital" do Público (só para assinantes): "A Seara.com, uma empresa portuguesa de consultoria na área da Internet, lançou o E.Life, um serviço que permite aos clientes acompanhar o que se diz sobre eles na Internet portuguesa -desde textos na blogosfera a comentários em fóruns, redes sociais ou outros espaços que permitam aos utilizadores inserir conteúdo. A tecnologia, desenvolvida por uma firma brasileira, recolhe comentários que incluam uma referência a uma marca ou pessoa (ou qualquer outro termo que seja pedido por quem usa o sistema)."

A 'Princesa do Povo' - Dez Anos de Mentiras. De Miguel Sousa Tavares no Expresso.

Amália “no tempo das cerejas”

Amália Rodrigues nasceu, em Lisboa, em Julho de 1920. Os documentos oficiais atestam que o nascimento ocorreu no dia 23, mas Amália preferia celebrar o aniversário no dia 1, “no tempo das cerejas” - como costumava dizer a diva do fado.

Em 1985, numa tarde de Novembro, eu subi ao salão do 1º andar do nº 193 da Rua de São Bento para registar o testemunho de Amália Rodrigues. Passavam, então, os seus 45 anos de carreira e o objectivo era a realização de um programa sobre a música de Amália que viria a ser emitido pela rádio alemã “WDR 4”. O guião do programa "Uma estranha forma de vida" está aqui. A entrevista não editada pode ser ouvida aqui.