A ligação entre a linguagem televisiva e a linguagem radiofónica tem tradução no uso de técnicas comuns como a montagem, mas, do ponto de vista da recepção, há uma vantagem acrescida para a rádio: o som da palavra, da música, ou dos efeitos sonoros, consegue criar imagens na mente, mas o inverso é pouco verosímel visto que as imagens, só por si, não suscitam o som. Ora é essa dimensão globalizante inerente à envolvência sonora, consubstanciada através da criação das tais “pictures in the mind”, que torna mais intenso o diálogo com o ouvinte do que com o espectador.
Contrariamente ao vídeo, em que a imagem, supostamente ao mostrar tudo, remete as audiências para uma atitude passiva, na rádio os ouvintes sentem necessidade de ser activos porque há sempre algo a descodificar na textura sonora apresentada. Nesse sentido,a rádio insere-se mais intensamente no conceito de "obra aberta", de Umberto Eco, segundo o qual “toda a recepção é uma interpretação e, ao mesmo tempo, uma realização”.
Ao proporcionar um maior grau de liberdade na recepção por parte do ouvinte, o som da rádio, não sendo tão intrusivo como a imagem vídeo, abre-se a um diálogo, mesmo que seja em silêncio, e o contacto estabelece-se. Por isso se pode dizer que mesmo ainda antes de terem aparecido os programas de "call-in", os debates, os fóruns ou os passatempos radiofónicos, as audiências da rádio já eram activas visto que sempre tiveram necessidade de recorrer ao imaginário para atingir a plenitude da recepção sonora.
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sexta-feira, 21 de março de 2008
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